Eu tinha meia lasanha de quatro queijos na geladeira e estava feliz, peguei a lasanha adicionei palmito, provolone, requeijão, pimenta, azeite de oliva e coloquei no forno.
Dai vieram as conversas, primeiro o menino que tenta se aproximar, um certo interesse disfarçado de vamos ser amigos e eu acho graça.
Depois vieram os outros, a minha pequena que amo e me deixou tenso, que em um texto desesperado e dislexico tentava me fazer entender e falar para ela: segue pela avenida principal que aqui é retorno rua de mão única de felicidade rala e solidão medonha, ao mesmo tempo escrevia para o outro um texto, um texto explicativo que não era para ele e sim para mim, que precisava ler, onde acabo em mim o que não chegou a existir, porque só assim posso criar a distancia necessária.
Chamei a Camélia rápido para em poucas frases tortas conseguir respirar, teve também o que queria saber de trabalho, devo ter soado estranho, eram tanta agitação para quem nada sabia.
No fim a minha lasanha estava fria, já não tinha fome, não sentia nada, mesmo assim comi pela simples nescessidade de uma ação, queria algo tátil.
Quando veio a noite, foi grande e divertida com amigos e tudo correndo bem mas a lasanha pesava em mim, assumo que me fiz de vaca, dissimulado, cínico por vezes duro pelo simples fato de que podia, ou talvez só voltando ao meu normal, mas definitivamente nunca mais como lasanha.

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