
Hoje fui ver o grupo Cena 11 que apresentou SIM, tive uma enorme surpresa, uma surpresa boa. A forma como introduziram a platéia no seu meio sem a pretensão de espetáculo, a ausência, algo que tanto gosto, ausência de subterfúgios, facilitadores, eu vi ali os bailarinos sem rosto sem identidade, eram corpo em movimento, na verdade mais me pareciam uma matilha selvagem que nos tratou como presas, prendendo, amedrontando, limitando, brincando com nós e nós nos submetendo, por vezes esses animais selvagens se esqueciam da presa ou cansavam e voltavam-se para si. Com uma sutileza perfeita construíram na nossa frente e entre nós uma fábula. Foi lindo, senti que os humanos com algumas espécies de animas também as vezes devoram os seus semelhantes. A imagem que mais me pareceu de uma rainha sangrando diante de sua corte de sua matilha desorientada, cansada, por vezes sexual ficou em mim.
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